Município tem 31 pontos de microgeração em prédios de habitação social, creches e escolas.
A Câmara de Lisboa já investiu 700 mil euros na criação de sistemas de microgeração em 23 edifícios e em oito estabelecimentos de ensino. Em poucos anos, a venda de energia pode render ao município 155 mil euros por ano.
A Câmara de Lisboa já investiu 700 mil euros na criação de sistemas de microgeração em 23 edifícios e em oito estabelecimentos de ensino. Em poucos anos, a venda de energia pode render ao município 155 mil euros por ano.
Apenas uma das oito escolas, a nº 117, no Bairro da Flamenga, já vende energia desde o final do mês de Outubro, mas a ideia é certificar os painéis que existem e ligá-los à rede, para que possam também render dinheiro. Isto no imediato, uma vez que o objectivo é alargar o projecto.
A microgeração em Lisboa é a resposta ao incentivo criado pelo Governo à microprodução de energia por particulares. A autarquia escolheu oito escolas, abrangendo 2904 pessoas (entre alunos, professores e auxiliares), 22 edifícios habitacionais (que totalizam 494 fracções e 1729 moradores) e o edifício-sede da Gebalis, empresa municipal que gere os bairros sociais e que tem também instalado um equipamento solar-térmico que alimenta todas as seis casas-de-banho do edifício.
António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, espera ter o retorno do investimento feito até agora (500 mil euros nos edifícios e 200 mil nas escolas) dentro de oito a dez anos. E pretende, nos próximos dois anos, estender o projecto a mais 23 escolas da cidade. "É um contributo muito importante para uma maior eficiência energética", frisou ontem o autarca, durante a apresentação dos projectos em curso na área da microgeração de energia eléctrica e de aproveitamento das energias renováveis na cidade de Lisboa. "As energias renováveis serão as questões centrais deste século", acrescentou.
Na sua óptica, a redução das emissões poluentes passa por um grande investimento em eficiência energética, redução do tráfego automóvel, uso do transporte público, além do investimento em microgeração. "A Câmara e as empresas têm que estar na primeira linha a dar o exemplo", defendeu.
De acordo com Luís Natal Marques, presidente da Gebalis, a empresa municipal gastou, em 2007, mais de um milhão de euros em electricidade, gasto que se prendeu apenas com os espaços comuns dos bairros municipais. Por isso, sublinhou que a instalação dos painéis solares será fundamental para reduzir a factura com a EDP, vendendo energia e fazendo um encontro de contas.
Se as condições climatéricas ajudarem, a microgeração nos edifícios poderá render, por ano, cerca de 80 mil euros. As oito escolas, poderão render, por sua vez, 26 mil euros, assegurou o responsável da Gebalis. Quando o projecto se estender a mais 23 escolas, os ganhos anuais poderão subir até aos 75 mil euros.
Segundo Luís Natal Marques, o projecto de microgeração em curso tem benefícios sociais, económicos e ambientais. Explicou que a produção média estimada de energia por ano, por instalação, é de 5110 kwh/ano, acrescentando que evita a emissão anual de cerca de duas toneladas de CO2 por ano, por sistema instalado.
Para as escolas, foram tidos como critérios de escolha as características adequadas de construção e arquitectura, avaliação de possibilidades de correcta orientação solar e as condições de segurança. Critérios idênticos foram utilizados para a selecção dos edifícios, a que se juntou ainda um outro requisito: não ter registo de actos de vandalismo.

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